Durante a minha viagem para a Bósnia, era impossível não se deparar o tempo todo com o assunto da guerra. É um assunto complicado, com mil perspectivas, mas tentei colocar um pouco do que aprendi lá para quem tá interessado.

Uma cadeira vermelha para cada vítima do cerco
Uma cadeira vermelha para cada vítima do cerco

Durante os últimos anos da Iugoslávia, havia uma percepção por parte dos outros povos do país de que a Sérvia estaria tentando manter uma posição de superioridade e formar uma “Grande Sérvia”. Os nacionalismos e a busca por maior autonomia levaram à declaração de independência da Eslovênia e a Guerra dos Dez Dias, e depois à independência da Croácia e a uma guerra que durou mais de um ano. Os croatas a chamam de Homeland War, e durante essa guerra Dubrovnik foi sitiada e bombardeada.

bombardeio guerra dubrovnik croácia iugoslávia
Bombardeio de Dubrovnik

Enquanto a guerra da Croácia ainda estava acontecendo, o exército iugoslavo (JNA) cercou Sarajevo, capital da Bósnia. O exército era composto principalmente por sérvios e bósnios que se identificavam como de etnia sérvia. Eles disseram aos repórteres e ao governo do país que estavam lá para proteger a cidade caso a guerra na Croácia chegasse até lá. Mas a verdade é que eles estavam lá para impedir outra independência, e começaram a atacar a cidade assim que um referendo pela independência foi feito.

sarajevo cerco guerra bósnia

Em outras partes do país, o exército croata entrou em cidades, a princípio se apresentando como um aliado contra os sérvios, mas depois se voltando contra a população muçulmana. Depois veio a público que os presidentes da Sérvia e da Croácia tinham feito um acordo para dividir a Bósnia em linhas étnicas, o chamado acordo de Karađorđevo.

Quando faltou lugar para enterrar os mortos, o estádio foi transformado em cemitério
Quando faltou lugar para enterrar os mortos, o estádio foi transformado em cemitério

Segundo um censo de 1991, 44% das pessoas no país se consideravam muçulmanos, 35,2% eram sérvios, 17% croatas, enquanto 6% preferiam se descrever como iugoslavos. Essas diferenças são definidas por alguns como religiosas, e os sérvios seriam ortodoxos e os croatas, católicos, e por outros como étnicas. Afinal, não fazia diferença se você tivesse se convertido para outra religião, se você fosse ateu ou se você fosse um fanático religioso. Não fazia diferença que dois terços dos casamentos em Sarajevo fossem entre pessoas de religiões/etnias diferentes.

Espalhados pelo país, pequenos monumentos pedem que não se esqueça o que aconteceu
Espalhados pelo país, pequenos monumentos pedem que não se esqueça o que aconteceu

O JNA começou a bombardear Sarajevo com tanques, enquanto franco-atiradores miravam nas pessoas que tentavam atravessar ruas ou pontes. Um número entre 50 e 100 mil pessoas de todas as etnias fizeram uma passeata pela paz, mas o exército atirou sobre a multidão, matando duas pessoas. Pessoas que moravam nos arredores da cidade foram assassinadas ou mandadas para campos de concentração. As mulheres nos campos era rotineiramente estupradas. A partir de maio, eles organizaram um bloqueio total de Sarajevo. Ninguém tinha permissão de entrar ou sair da cidade. As comunicações foram cortadas, assim como a água, eletricidade e gás.

O aviso diz
O aviso diz “cuidado, Sniper”

A essa altura o exército que cercava a cidade era principalmente o exército da República Srpska, os Bósnios que se consideram de etnia sérvia e se recusavam a aceitar o resultado do referendo. Muitos membros de organizações paramilitares se chamavam de Chetniks, fazendo referência a um movimentos da segunda guerra mundial. Eu vi muita gente de outros países se referindo aos atacantes como sérvios, mas as pessoas sempre os corrigiam, dizendo que Sarajevo era uma cidade miscigenada e 50 mil dos seus defensores eram de etnia sérvia, e nem todos os sérvios eram Chetniks. O símbolo dos agressores era o três feito com o polegar, o indicador e o dedo do meio, então esse sinal é extremamente ofensivo em várias partes do país.

predios

No final de junho, o aeroporto passou a ficar sob o controle da ONU. Sendo a única área da cidade que não estava sob o controle dos Chetniks, muitas pessoas tentaram correr os 800 metros que os separavam do resto do país. Se pegos pela ONU, eles eram presos, mas essa não era a grande ameaça: snipers estavam posicionados dos dois lados do aeroporto. Os aviões que chegavam em Sarajevo a partir daí trazendo ajuda humanitária eram chamados de Maybe Airlines, já que talvez o avião chegasse, talvez não, talvez ele explodisse no ar, talvez não.

Maybe Airlines. Destinação: paraíso
Maybe Airlines. Destinação: paraíso

A Bósnia e Herzegovina, tendo acabado de ficar independente, não tinha um exército. A defesa da cidade foi feita principalmente por voluntários, dos quais poucos tinham armas. A venda de armas para os países afetados na guerra estava sob embargo, o que prejudicou apenas os defensores da cidade, já que o outro lado tinha fábricas a disposição. Eles também construiram um túnel debaixo do aeroporto para levar armas e comida para a cidade sitiada. Alguns o chamam de túnel da esperança, falando que ele salvou a cidade, outros são mais cínicos e apontam que ele foi usado muito por contrabandistas que se aproveitavam da situação do cerco para enriquecer.

i defend this city

Em 1994, ocorreu o primeiro massacre do Markale, quando bombas atingiram um mercado no centro da cidade, matando 68 pessoas. Em resposta, a OTAN finalmente fez um ultimato ao exército da República Sprska exigindo a remoção do armamento pesado em volta de Sarajevo, sob a pena de sofrer bombardeios aéreos. Apesar disso, o cerco continuou por quase dois anos.

Snipers frequentemente miravam nas patas de cachorros sabendo que alguém não resistiria a ajudar
Snipers frequentemente miravam nas patas de cachorros sabendo que alguém não resistiria a ajudar

O cerco de Sarajevo foi o cerco mais longo inflingido a uma capital na época moderna, durando de 5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 1996. Durou mais de três vezes o tempo do cerco de Stalingrado e mais de um ano a mais do que o cerco de Leningrado. O termo urbicídio foi usado para descrever a tentativa de aniquilar a cidade, não só seus habitantes mas todas as construções. Afinal, por que o exército atacante passou tanto tempo tentando destruir uma biblioteca, se não por seu valor como símbolo?

Incêndio da biblioteca nacional
Incêndio da biblioteca nacional
Vedran Smailović, o violoncelista de Sarajevo, que tocava em ruínas de prédios e funerais
Vedran Smailović, o violoncelista de Sarajevo, que tocava em ruínas de prédios e funerais

Vários massacres foram feitos em diversas cidades bósnias e pela primeira vez o termo limpeza étnica foi utilizado, como um eufemismo usado pelos criminosos de guerra para as suas ações. Desses o mais célebre foi em Srebrenica, que tinha sido declarado um espaço seguro pela ONU. O lugar era defendido por uma tropa holandesa, mas mesmo assim foi ocupado pelo Exército da República Srpska e cerca de oito mil homens foram assassinados, estupros foram cometidos em massa e a população sobrevivente foi expulsa.

Srebrenica
Srebrenica

Estima-se que cerca de 200 mil pessoas tenham morrido durante a guerra, entre 20 e 50 mil mulheres tenham sido estupradas e 2,7 milhões tenham deixado o país, o maior número de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra. Em 2006, o presidente da Sérvia pediu desculpas pelo papel de seu país na guerra, e em 2010 o presidente da Croácia fez o mesmo.

siege

Mas a gente não pode deixar de se perguntar, como isso pode acontecer? Como isso aconteceu na Europa, onde tanta gente falava “Nunca mais”, como aconteceu outro genocídio e se passaram anos antes que alguém fizesse algo a respeito? A guerra da Bósnia ainda não foi tão estudada que a gente possa ter uma resposta sobre isso – se é que se pode ter uma resposta certa a uma questão tão complexa – mas muita gente suspeita que tem a ver com o fato de que a Bósnia era vista como um país muçulmano. Muita gente na Europa simplesmente não queria uma Bósnia independente e de maioria muçulmana.

help bosnia now

A guerra ainda é motivo de polêmica. Algumas pessoas usam o termo genocídio, enquanto outros são contrários ao uso. Duas figuras são amplamente admiradas em Sarajevo: Bono Vox, que queria fazer um concerto do U2 em Sarajevo, que já não aparecia muito na mídia, e o papa João Paulo II, que sempre mencionava a Bósnia em seus discursos. Muitos também admiram Bill Clinton, vendo-o como o responsável por finalmente parar o cerco, outros o odeiam pela demora em agir. Os soldados da ONU também são controversos, alguns os odeiam porque acham que fizeram pouco para defender os civis, outros sabem que eles tinham ordens de permanecer imparciais mas ainda fizeram muito pela população.

Concurso para miss na cidade sitiada
Concurso para miss na cidade sitiada

Aqui estão algumas recomendações para quem quer aprender mais sobre a guerra.

Livros de acadêmicos para ler:

The Fall of Yugoslavia, Misha Glenny – Glenny era um correspondente britânico na Europa Central quando a guerra estourou, e escreveu vários livros a respeito. Eles são bem reputados e interessantes de se ler.

Balkan Babel, Sabrina Ramet – uma das poucas historiadoras a escrever livros sobre a guerra da Bósnia, tema ainda pouco estudado. Esse possui textos de vários autores sobre diversos tópicos, e também fala das guerras na Eslovênia e na Croácia.

Sarajevo under siege, Ivana Macek – Antropóloga croata que queria fazer uma antropologia cultural a cidade sitiada. O livro é mais pessoal do que é o costume entre acadêmicos, e tenta dar uma mostra da vida na cidade.

 

Livros de literatura:

O Projeto Lázaro, Aleksandar Hemon – Hemon foi a Chicago fazer um curso de inglês quando a guerra estorou e ele ficou preso lá. Estudando inglês lendo Nabokov, ele se tornou um romancista famoso e ganhou uma bolsa McArthur para gênios. Esse é um livro de ficção sobre outro exilado da Bósnia, Vladimir Brik, que vai ao leste Europeu com um amigo fotógrafo como parte de um projeto, e as histórias que eles contam sobre Sarajevo sitiada.

Como o Soldado Conserta o Gramofone, Saša Stanišić – Esse romance conta a história de um menino bósnio, filho de pai sérvio e mãe muçulmana, quando a guerra começa e destrói o mundo que ele conhece.

Sarajevo Marlboro, Miljenko Jergović – Antologia de contos, alguns dos quais foram escritos ainda durante a guerra e publicados em um jornal que continuava a ser distribuído em Sarajevo. Eles tratam dos habitantes de Sarajevo, e como eles vivem suas vidas em meio ao cerco.

O Diário de Zlata, Zlata Filipović – Diário de uma menina que morava em Sarajevo, vista como a Anne Frank bósnia. Nele, ela conta desde o início da guerra até a fuga de sua família.

Safe Area Gorazde, Joe Sacco – Romance em quadrinhos de um jornalista americano sobre a cidade de Gorazde, enclave muçulmano em uma região de maioria sérvia. A cidade foi declarada uma área segura pela ONU, no entanto o título do livro é irônico.

 

Filmes:

Círculo Perfeito, Ademir Kenović – Um poeta bósnio consegue mandar a esposa e a filha para o exílio na Croácia, no entanto prefere continuar em Sarajevo. Um dia, ele descobre no seu apartamento dois meninos que acabaram de escapar de um  massacre em uma vila lá perto e procuram a tia, e resolve ajudá-los.

Grbavica, Jasmila Žbanić – A história de uma menina e sua mãe na Bósnia pós-guerra. Ela quer ir em uma excursão do colégio, gratuita para quem é filho de um herói de guerra, e tenta descobrir mais sobre seu pai para conseguir.

Terra de Ninguém, Danis Tanović – Nino e Ciki, soldados de lados opostos, ficam presos na Terra de Ninguém entre os dois exércitos. Vemos como tentar voltar para casa, e como a imprensa internacional retrata a situação.

In the Land of Blood and Honey, Angelina Jolie – Durante a guerra, um soldado sérvio reencontra uma mulher que ele conhecia, agora prisioneira no campo pelo qual ele é responsável. Disponível no Netflix.

Pretty Village, Pretty Flame,  Srđan Dragojević – Dois homens, um sérvio e muçulmano, são tratados em um hospital em Belgrado enquanto lembram sua infância e sua confrontação durante a guerra.

A vida é um milagre, Emir Kusturica – Lgo após Luka construir uma ferrovia em sua cidade para atrair turistas, a guerra começa e ele é convocado. Logo ele descobre que seu filho foi feito prisioneiro, mas ele tem uma refém e quer oferecer uma troca.

 

Documentários:

The Death of Yugoslavia – Documentário da BBC em seis partes, que fala das guerras de dissolução da Iugoslávia. Disponível no YouTube, clique aqui para ver a primera parte.

Srebrenica: A Cry from the Grave – Documentário sobre o genocídio de Srebrenica, o maior massacre na Europa desde a segunda guerra mundial. Disponível no YouTube.

Romeo and Juliet from Sarajevo – a história de dois amantes, ele sérvio, ela muçulmano, que foram assassinados ao tentar sair da Sarajevo. A imagem de seus corpos abraçados rodou o mundo. Disponível no YouTube.

I came to testify – O documentário acompanha um grupo de 16 mulheres que testemunham sobre seu encarceramento em um campo de estupros. Ele foi responsável por um novo tratamento de abusos sexuais cometidos durante uma guerra. Disponível no YouTube.

Sarajevo: A street under siege – o nome já diz tudo, é um documentário que segue as vidas de várias pessoas em uma rua da cidade sitiada. Disponível no YouTube.

welcome-to-sarajevo

Eu sou uma estudante de história e queria saber mais sobre o cerco, sobre como ele afetou a população, mas sabia que era um assunto difícil. Acabei fazendo alguns tours em Sarajevo, inclusive um nas colinas em volta da cidade onde o exército atacante ficou estacionado. Para saber mais sobre o tour, veja o próximo post.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

8 comentários

  1. Oi Julia, obrigado pelo retorno!!!!

    Sim, o filme é “Antes do Amanhecer” mesmo!!! 😀

    Essa ideia de dormir em Cesky Krumlov me agrada bastante!! até pq li sobre um tour de histórias medievais que acontece a noite!! Mas de acordo com minhas pesquisas o ônibus que sai de Cesky Krumlov pela manhã chega em Viena só no fim do dia e perderia um dia inteiro :/

    Sobre a Eslovênia: como são apenas 3 dias, a ideia inicial é dedicar 2 para Liubliana!! A grande dúvida do terceiro dia é escolher entre Bled e as cavernas (ainda mais agora que descobri sobre Skocjan) Mas acho que vou acabar ficando com Bled mesmo!! Ou então deixar 1 dia para cada!! hahhaa

    Esse roteiro da Croácia que está me quebrando, pq Dubrovnik fica beeemmm distante, né? Mas achei sua dica interessante!! Vou avaliar!! Talvez ficar uma noite em algum lugar ali pelo Lagos e sair pela manhã para Dubrovnik pode ser uma opção mais viável!!

    Vou dar uma olhada em todos os seus posts para pegar todas as dicas possíveis!! 😀

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    1. Oi, Ciro,

      De Cesky Krumlov, você também pode pegar um shuttle se tiver com mais pessoas, pode ficar mais ou menos o mesmo preço. Olha também o blablacars, às vezes você dá sorte.

      É Dubrovnik tá complicado mesmo. Se você sair só de manhã, vai passar o dia todo na estrada. Se você tivesse mais tempo, eu recomendaria passar o dia em Split e ir só no dia seguinte, mas acho que seu roteiro já está apertado…

      Bom, mas tenho certeza que de qualquer jeito que arranjar, vai adorar, essas cidades são muito interessantes. Qualquer outra coisa que precisar, pode falar ; )

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  2. Oi Júlia, que demais. Estou curioso demais pra conhecer a Bósnia!!!

    Bom, estou planejando uma viagem para o leste europeu em setembro desse ano e nas minhas pesquisas, acabei encontrando seu blog, que tem me auxiliado bastante e tem feito viajar antes de decolar!!! Mas tenho algumas dúvidas práticas e gostaria de saber se vc teria como me ajudar!!!

    Serão 25 dias entre Republica Tcheca, Hungria, Eslovênia, Croácia e Bósnia. E as maiores dúvidas são as seguintes:

    Seguro Viagem: Croácia e Bósnia não fazem parte dp Acordo de Schengen, certo? Isso implica na hora da contratação do seguro viagem?

    Moeda: Como cada país adota uma moeda diferente, a ideia e trocar um valor x de euros já na chegada de cada cidade pela moeda local ou ir trocando aos poucos, ao longo dos dias?

    Entre Praga e Budapeste, a ideia é passar um dia em Viena. Sim, sei que a cidade merece muito mais do que isso, mas nesse momento vai ser um passeio consciente de que não vamos aproveitar nem 10% que o lugar tem para oferecer. O objetivo é fazer o roteiro de um filme, o que dá pra fazer em 1 dia tranquilamente. Mas a grande dúvida é o seguinte: No roteiro da Republica Checa, temos 1 dia (bate e volta) dedicado para Cesky Krumlov. Mantenho o bate e volta ou pernoito um dia em Cesky e sigo no dia seguinte para Viena? Vi em alguns lugares que essa opção seria possível, mas nada muito claro.

    Eslovênia: Estou dedicando 2 dias para Liubliana e 1 para Bled. Outra ideia era ir a Postjona, mas pelo que li achei as entradas caras. hahaha Acha que é uma atração imperdível?

    Zagreb – Lagos Plitvice: Inicialmente são dois dias dedicados para Zagreb, sendo 1 para conhecer a cidade e o outro para servir de ponto fixo para um bate-volta aos lagos Plitvice, sendo que a ideia é quando chegar em Zagreb no fim do dia (retornando dos Lagos) já emendar em uma viagem noturna para Dubrovnik. Não estou mt confortável com essa ideia por achar que pode ser mt cansativo. Outra opção seria ir de mala e cuia para os lagos, e de lá seguir para Dubrovnik, mas não encontrei nada dizendo que esse trajeto fosse possível. Você saberia me dizer?

    Croácia – Bósnia: A terceira e última grande dúvida no roteiro é em relação a viagem da Croácia para Bósnia. (A ideia é sair de manhã de Dubrovnik e seguir para Mostar, ficar 2 dias e depois pegar um trem de manhã par Saravejo, onde encerro a viagem.) Mas a questão é: parace que para entrar em Dubrovnik passa pela Bósnia, certo? A imigração é tranquila?

    Acho que as maiores dúvidas são essas. Os demais trajetos ficaram da seguinte maneira

    Budapeste – Liubliana (viagem noturna de bus)
    Liubliana – Zagreb (sair pela manhã de bus)
    Dubrovnik – Mostar (sair pela manhã de bus)
    Mostar- saravejo (sair pela manhã de trem)

    E, claro, caso tenha dicas úteis de alguns desses lugares, como restaurante bacana e barato, casas de câmbio, dicas de transporte público ou então simplesmente aquele lugar incrível que normalmente não está nas tradicionais rotas turísticas, agradeço muuuittooo!!!

    Muito obrigadooooo!!!

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    1. Oi, Ciro, tudo bom?

      Que bom que o blog tem te ajudado. Eu tenho algumas coisas publicadas sobre a República Tcheca, a Bósnia e a Eslovênia. Sobre a Croácia deve sair algum dia desses, e tô preparando algumas coisas sobre a Hungria também ; )

      A Croácia e a Bósnia não são parte do espaço Schengen, mas não creio que isso influencie a maior parte dos seguros. Eu fiz um seguro do World Nomads que me cobria no mundo todo menos Brasil e EUA, então nem me preocupei, mas é só olhar no seu segurador.

      Quanto a troca de moedar, eu fiz um cartão de euros e sacava na moeda local. Eu tentava sacar o mínimo de vezes possível porque tem uma taxa de 2 euros a cada saque, então fazia uma estimativa de quanto ia gastar em cada dia. Não é 100%, na Hungria acabei comprando umas porcarias na estação de trem porque ainda tinha umas liras e na Bósnia tive que sacar duas vezes, mas teve bom… Se for trocar dinheiro, toma cuidado na Rep. Tcheca e na Hungria que tem muitos esquemas na rua… Publiquei um post sobre isso esses dias, se você quiser dar uma olhada.

      Só de curiosidade, o filme em Viena é Antes do Amanhecer? Amo esse filme. Recomendo muito que você passe a noite em Cesky Krumlov, senão você vai gastar seis horas de ônibus para o bate-volta em um dia e depois no dia seguinte vai fazer parte do trajeto de novo para ir a Viena. Trens não tem conexão direta para Cesky Krumlov, então o ônibus é mais rápido e conveniente. Recomendo muito a empresa Student Agency, que é ótima. Você tem uma tela de tv e bebidas quentes (Aliás, uma das opções de filme era Antes do Amanhecer).

      Quanto a Eslovênia, eu não fui a Postojna, achei muito com cara de disney. Fui em Skocjan, que é patrimônio da humanidade e o maior canyon subterrâneo da Europa, com um rio no fundo, foi incrível. Também fui no Castelo de Predjama e em Bled, todos os três foram day-trips incríveis, mas se você tem só três dias no país, eu passaria dois dias em Ljubljana. Dá para fazer as cavernas de Postojna ou Skocjan e Predjama no mesmo dia.

      Na Croácia, não acho que faz muito sentido voltar para Zagreb para pegar um ônibus para Dubrovnik. Eu iria de mala e cuia e deixaria tudo na estação de ônibus (tem um guarda volumes). Não achei nenhum ônibus noturno para lá, mas tem um para Split que sai as 23:40 e chega lá às 5:15, de lá você pode pegar outro ônibus para Dubrovnik, segundo o site Bus Croatia. Vai ser super cansativo, não é perto, mas se você não quer perder um dia no ônibus, pode ser o jeito. Entre Split e Dubrovnik você tem que passar pela Bósnia porque o território da Croácia é descontínuo. Mas é bem tranquilo, só tenha seu passaporte em mãos, não coloque em nenhum lugar difícil.

      Algumas dicas finais: se você é estudante, tem desconto nas passagens de ônibus na Eslovênia e Bósnia. Se você está em grupo, tem descontos nas passagens de trem na República Tcheca (tem que pagar junto). O trem de Mostar para Sarajevo tem um horário inconveniente mas a paisagem é linda.

      Quanto à comida e atrações, eu geralmente tento postar aqui. Se eu lembrar de alguma coisa especial, te falo.

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  3. Nossa, fui a Dubrovnik e não tinha idéia que a cidade foi bombardeada há tão pouco tempo! Acho que to precisando fazer uma pesquisa melhor antes de viajar…

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