O Museu da Inocência foi criado pelo Nobel de literatura Orhan Pamuk. É um pequeno museu em Istambul com instalações com objetos relacionados à vida cotidiana no romance, que por meio de um romance conta a história de Istambul na segunda metade do século XX.

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Ele concebeu o romance e o museu simultaneamente desde o início. O romance foi publicado em 2008 e o Museu abriu em 2012. No entanto, eles são experiências separadas, e você ainda pode ler o livro sem visitar o museu e vice-versa. O museu também segue um manifesto do Pahmuk, que reconhece a importância de grandes museus fundados em antigos palácios como o Louvre e o Hermitage, mas achava que não deveriam ser um modelo para o futuro, e que esses deveriam ser museus menores, mais baratos e mais individualizados, que tratassem das histórias de indivíduos e não da história da nação ou do estado. Ele acha que elas são mais ricas e mais humanas.

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O romance se passa entre 1974 e o início dos anos 2000, e conta a história de Istambul por meio da vida de duas famílias, uma rica e uma de classe média.

Kemal, de uma família rica, está prestes a ficar noivo de Sibel.Eles são vistos como o perfeito casal moderno e europeu, que se arrisca até a fazer sexo antes do casamento. Mas quando ele reencontra Füsun, uma parente distante, ele começa com ela uma história de obsessão e embate entre tradição e modernidade. Eles se encontram no prédio onde o museu foi depois construído. A cada visita, Kemal leva um objeto que o lembra de Füsun, e são esses objetos que depois dão origem à coleção do museu.

 

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Mulheres que tiveram um amante antes do casamento apareciam no jornal com faixas negras estúpidas que não tinham absolutamente função nenhuma. Vítimas de estupro e prostitutas apareciam do mesmo modo.

Ao exibir os objetos mencionados no romance, o museu se torna uma coleção de objetos reais de uma história imaginada. Ele é baseado na ideia que objetos que trazem memórias diferentes podem, quando colocados lado a lado, trazer pensamentos e emoções novos.

Alguns desses objetos vieram da família e dos amigos de Pahmuk, outros foram encontrados em Istambul. Às vezes ele procurava objetos que se encaixassem na história, às vezes ele gostava de um objeto e isso influenciava um capítulo seguinte. Mas ele deixa bem claro que o museu não reflete a vida dele, mas o romance. Muita gente fica confusa pelos displays que clamam que Kemal morou lá até sua morte, nos anos 2000, mas é porque essa é a história do livro, que é fictícia.

Todas as caixas tem o mesmo número e nome do capítulo a que fazem referência. Todas as caixas também tem altos falantes com sons da cidade, para ajudar a entrar no clima, então é importante fazer silêncio e prestar atenção.

A entrada custa 25 liras para adultos e 10 liras para estudantes. Alternativamente, você pode levar o livro: o ingresso impresso nas últimas páginas é válido. O audioguide é narrado pelo autor e custa apenas 5 liras.

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O livro o Museu da Inoncência foi traduzido para português pela Companhia das Letras. Clique aqui para vê-lo. O site também tem uma excelente entrevista com o Orhan Pamuk em que ele explica muito sobre o museu e o livro.

 

 

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

3 comentários

  1. Parece um museu bem interessante. Gostei muito dessa ideia de museus menores e mais individualizados, e só essa ideia do romance já me explica porque ele ganhou o Nobel

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