Trieste, conhecida como Trst em esloveno ou Triest em alemão, é uma das cidades mais multiculturais da Itália, com uma enorme praça à beira-mar e uma grande tradição literária. Com isso, é surpreendente que não seja mais visitada. Aliás, o Lonely Planet escolheu Trieste em 2012 como a cidade mais subestimada do mundo. Em 2015, fui lá para conferir se concordava.

Trieste é uma cidade antiga e ainda tem edificações da época romana. Na Idade Média, ela competiu com Veneza por controle do mar Adriático, quase sendo destruída no processo. Ela foi por séculos um ponto de conflito entre os venezianos e o Império austro-húngaro.

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Durante o século XIX, Trieste era a quarta maior cidade do Império, atrás apenas de Viena, Budapeste e Praga. Ela tinha um status especial como Cidade Livre, podendo se governar. Era uma cidade muito cosmopolita. James Joyce começou a escrever Ulisses aqui, e influenciou a literatura da região, principalmente Italo Svevo. Freud também passou um período aqui enquanto fazia uma pesquisa.

No Borgo Teresiano, o lugar onde tirei essas fotos do Canal, ficam uma grande Catedral e uma Igreja Ortodoxa cheia de mosaicos, mais uma mostra de como essa cidade era aberta. A cidade também tem uma Sinagoga aberta para visitação.

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Love me. Love my umbrella.

Como as outras grandes cidades do Império, Trieste tinha uma tradição de cafés. Hoje ainda são alguns dos lugares mais cosmopolitas da cidade, onde você pode ouvir várias línguas como se estivesse na época do império. Eu fui ao Caffè San Marco, visitado por Joyce, Svevo e Umberto Saba. Ele foi construído em estilo Art Nouveau (ou Secession, como dizem em Viena), e hoje tem uma pequena livraria onde você pode encontrar livros dos grandes escritores celebrados em Trieste. 

 

Durante a primeira guerra mundial, a Itália exigiu Trieste e Trento como recompensa para mudar de lado  apoiar a Inglaterra e a França. Triste tinha uma maioria de população italiana, mas tinha mais eslovenos do que Ljubljana. Essa população passou por uma italianização forçada, sua língua foi proibida e suas lojas e livrarias foram destruídas. O objetivo era fazer de Triste uma città italianissima, ignorando os séculos de influências diferentes na cidade. Muitos eslovenos, alemães e judeus emigraram durante o fascismo italiano. A maioria dos que ficaram foi enviada para campos de concentração durante a segunda guerra. Perto de Trieste fica um dos campos que existiam em território italiano, Risiera di San Sabba.

 

A Piazza Unità d’Italia é considerada a maior praça à beira mar da Europa. Antes de 1919, ela era conhecida somente como Praça Grande, depois recebeu esse nome como mais um símbolo de que as minorias de língua eslovena e alemã não eram mais bem vindas.

Hoje, ela é uma das maiores atrações da cidade, embora pouco se fale desse passado problemático.

 

Perto de Trieste, existem várias atrações famosas, como o Castelo de Miramar e a Grotta Gigante. Essa é a maior caverna aberta para turistas do mundo, e o rio que passa por ela é o mesmo que passa nas cavernas de škocjan, formando o maior canyon subterâneo da Europa, na Eslovênia.

Veredito final? Não conheço o bastante do mundo para julgar, mas acho que é a cidade mais subestimada da Itália.

A cidade de škocjan fica a menos de 30 km de distância, e Ljubljana a cerca de 90 km. Apesar disso, não existem linhas de trem que cruzam a fronteira. Existem, no entanto, muitas opções de ônibus. Algumas pessoas preferem, pela vista, pegar um táxi até Sezana, a primeira cidade eslovena depois da fronteira, e de lá pegar um trem.

Se você está na Itália, Triste está a entre 2 e 3 horas de Veneza, e a cerca de 3 horas e meia de Bologna.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

4 comentários

  1. Ei, tudo bom?
    To querendo ir lá justamente entre Bologna e Ljubljana (é assim que escreve?). Mas não to achando online como que é esse ônibus, você sabe? Tem muitos horários, é caro?

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    1. Eu peguei entre Zagreb e Trieste, custou 12 euros se não me engano, com desconto para estudantes (é bem comum nos Bálcãs). De Trieste, fui para Bologna de trem, mas a parada lá vale super a pena! Eu comprei na rodoviária mesmo e tinham muitos horários, mas não sei te falar mais.

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