Em 1938, a Alemanha nazista invadiu a então Tchecoslováquia. O país foi dividido entre o Protetorado da Boêmia e da Morávia, governado pelos invasores, e o Estado da Eslováquia, teoricamente um aliado independente, mas na prática um estado fantoche.

Antes da invasão, Hitler convocou o então presidente da Tchecoslováquia, Hácha, para Berlim e o informou dos seus planos. Ele disse que Praga seria bombardeada se o exército não se rendesse. Hácha teve um ataque cardíaco durante o encontro e teve que ser mantido vivo com assistência médica. Eventualmente, ele ordenou a rendição esperando evitar um banho de sangue.

Castelo de Praga névoa
Vista para o Castelo em um dia de névoa

Castelo de Praga

O governo alemão na República Tcheca tinha sede no Castelo de Praga. Isso foi visto por muitos como uma demonstração de arrogância: o castelo de Praga é o maior castelo do mundo, antigo assento de Imperadores do Império Romano-Germânico e Reis da Boêmia. As jóias reais ainda estão lá, e dizem que trazem uma maldição. Qualquer um que colocar a coroa da Boêmia na cabeça sem ter direito a isso morrerá em menos de um ano. Heydrich, o representante do governo nazista, teria colocado a coroa na cabeça em um momento de orgulho. Mas falamos mais sobre o que aconteceu com ele no próximo post…

Castelo de Praga
Sede da presidência dentro do Castelo

Hoje você pode visitar vários lugares dentro do Castelo, como as igrejas de São Vito, um dos símbolos da cidade com seus vitrais em Art Nouveau, a Basílica de São George, em estilo romanesco, o antigo palácio real, e a Rua Dourada, entre outros lugares. Alguns são atrações a parte do Ingresso do Castelo, como um dos prédios da Galeria Nacional Tcheca. A Rua Dourada é um dos lugares mais charmosos lá dentro, e teria esse nome por causa de alquimistas do século XVI que tentavam produzir ouro lá, uma história que parece ser inteiramente mito. Hoje, pequenas exibições estão nas casas da Rua Dourada, mostrando como era a vida no Castelo para diferentes profissionais em diferentes épocas, como um vendedor de plantas medicinais, um ourives, um artilheiro, uma costureira. Outras casa tem placas comemorando moradores famosos, como Kafka no número 22 e Seifert, um Nobel de literatura, um pouco acima. Mas duas casas se ligam à história da cidade durante a Segunda Guerra Mundial.

A primeira pertence a Madame de Thebes, que ficou famosa por ler fortunas em carta de tarot. Como ela tinha o mau hábito de frequentemente prever a queda do Terceiro Reich, ela foi presa e assassinada pelo governo nazista. Hoje você pode ver na casa reconstruída cartas de tarot, um crânio e livros sobre astrologia.

Outro habitante famoso foi Jozef Kazda, que viveu no Castelo durante a seguna guerra mundial. Nessa época, as casas da Rua Dourada ainda tinham uso privado. Kazda era um diretor de cinema, que ficou chocado pelas ordens do governo invasor de que vários filmes tchecos deviam ser destruídos. Os tchecos eram agora um povo inferior, e sua língua e cultura deviam desaparecer. Kazda resolveu preservar todos os filmes tchecos que ele pudesse, e pensou que lugar melhor para isso que dentro da sede do governo? Afinal, as pessoas dificilmente procuram por subversivos debaixo do próprio nariz… Ele conseguiu preservar milhares de rolos de filmes, e hoje sua casa, a número 12, é um pequeno museu aos seus feitos.

Golden lane Castelo de Praga
Rua Dourada

A entrada para o Castelo é gratuita, assim como para a Catedral de São Vito, até uma parte, e a Rua Dourada após as 16 horas, quando as casas estão fechadas. Se você quer visitar o interior dos prédios, inclusive as igrejas e palácios citados acima, existem dois tipos de bilhetes disponíveis, para visita curta ou longa. Eles são válidos por dois dias.

Apartamentos reais Castelo de Praga
Apartamentos reais do Castelo

O Castelo é acessível por bonde, pegando o número 22 e descendo em Pražský Hrad, ou a pé, subindo os degraus a partir do rio. A vista para a cidade é linda de lá!

Vista do Castelo de Praga

Clique aqui para ler a parte II, em que falo da Igreja de São Cirilo, e a parte III, em que falo do Museu Judaico, na série sobre os lugares que contam a história de Praga durante a Segunda Guerra.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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