Sinceramente, eu acho que nada substitui um livro de papel. Sentir o cheiro de um livro, a textura do papel é um dos grandes prazeres de ler. Eu amo comprar livros e tenho uma grande biblioteca em casa. Mas para viajar, livros de papel com seu peso e volume simplesmente não são práticos.

Ebook readers tem várias vantagens para viagens, mas também para levar para a faculdade. Ele é leve, pesando em média 185 gramas. O catálogo de livros disponíveis é gigantesco, e você pode adicionar basicamente qualquer livro que está em domínio público na maioria das marcas. A tecnologia do ebook reader não emite luz, então ler no dispositivo não cansa como ler em um computador. E pelo mesmo motivo a bateria dura muito tempo, em média 70 horas. A bateria dura menos se você ligar a luz do dispositivo, o que é uma opção na maioria dos modelos.

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Crédito: site da marca Kobo

Existem vários modelos de ebook reader disponíveis no mercado, como Sony, Icarus, Kobo, Onyx, Pocket Book, Lev, etc. Eu queria um dispositivo em que eu pudesse adicionar livros que encontrasse na internet e minhas notas da faculdade em diversos formatos diferentes. Por exemplo, sites como o Project Gutenberg e o brasileiro Domínio Público tem amplas coleções de livros em domínio público de graça, então não vejo motivo para ficar limitada em uma só loja virtual. Também queria um livro que oferecesse a possibilidade de pegar livros emprestados em bibliotecas, o que ainda não está disponível no Brasil mas existe em vários países.

Com esses requisitos em mente, e olhando quais aparelhos estão disponíveis para comprar no Brasil por um bom custo/benefício. Por esses motivos, escolhi o Kobo. No Brasil, o Kobo está ligado à Livraria Cultura, na França ou em Portugal está ligado a Fnac e na Itália com a Editora Mondadori.

Fiquei muito feliz com a minha compra, e acho que o Kobo atende muito bem a tudo o que eu queria. A maioria das funções, como busca, dicionário e sublinhar funcionam em vários formatos, e ele usa o mesmo carregador de aparelhos Android, então não preciso andar com um tanto de cabos diferentes.

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Crédito: site da marca Kobo

Alguns leitores devem estar surpresos que eu nem considerei o Kindle, mas isso foi de proposito porque a Amazon é uma megacorporação do mal. Sem exageros.

Para começar, o Kindle só aceita livros no formato da Amazon e não aceita livros de bibliotecas, então não tinha motivos para considerá-lo. Zero paciência em ficar convertendo todos os ebooks que acho de graça online. Mas além disso, tem problemas como o fato de que a Amazon se recusa a vender produtos de seus competidores.  Eles tem práticas ilícitas para evitar pagar impostos, o que levou um famoso escritor infantil a rejeitar um prêmio patrocinado pela Amazon.

Eles tem uma longa história de censurar autores que publicam em seu site, atacando autores que publicam conteúdo LGBTLivros com conteúdo LGBT, aliás, nem aparecem nos rankings de venda de livrosE eles também censuram reviews de leitoresMas eles vendem coisas menos subversivas… Como armas banidasOu livros que dão conselhos a pedófilosOu livros que negam o holocausto.

Sem falar das condições de trabalho horríveis nos galpões da Amazon, que ficam superaquecidos e com ambulâncias em prontidão para tirar de lá os trabalhadores depois que eles desmaiam. O modo como eles tratam os trabalhadores é horroroso. Mesmo empresários não têm seus direitos respeitados, como muitos reportaram terem ouvido que deviam se concentrar mais na empresa enquanto lutavam com problemas pessoais devastadores como câncer e aborto. Eu me recuso a dar meu dinheiro para uma companhia que tem esses problemas.

Eu procuro livros bem difíceis de achar, e raramente um livro que procuro não está disponível como ebook na Livraria Cultura. Quando esse é o caso, costumo comprar livros físicos em dois sites que entregam livros para o Brasil sem cobrar frete, o Book Depository e o Better World Books, sebo que doa um livro para cada um que você compra. Assim não fico restrita a um lugar e consigo comprar todos os livro que quero.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

6 comentários

    1. Realmente a história da Amazon com livros é bem trágica. Eu costumava ter uma conta no Goodreads, uma comunidade independente vibrante, e saí assim que foi vendido. Agora tem fotos minhas com meu nome em reviews de livros que eu nem fiz em um milhão de sites.
      Eles querem dominar o mundo da escrita, e eu valorizo independência. Então tô fora.

      Curtido por 1 pessoa

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