Dubrovnik é conhecida como a Pérola do Adriático, e muito popular com turistas por causa da cidade murada, das praias, e do uso como King’s Landing em Game of Thrones. Mas, apesar do aumento enorme no número de turistas nos últimos anos, pouca gente que passa por lá sabe que Dubrovnik foi sitiada em meio a uma guerra há apenas vinte e cinco anos.

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Crédito: wikipedia commons

No início dos anos 90, a dissolução da Iugoslávia provocou várias guerras sangrentas. A primeira foi na Eslovênia, com a guerra de dez dias. Quando a Croácia declarou sua independência, o país foi invadido pelo JNA, o Exército do Povo Iugoslavo. Eles capturaram a região em torno de Dubrovnik, e a única região que permaneceu livre foi a própria cidade murada de Dubrovnik.

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

Em 6 de dezembro, eles começaram a bombardear a cidade. Isso foi uma surpresa para a comunidade internacional. Dubrovnik não tinha uma minoria sérvia significativa, não tinha interesse estratégico e era Patrimônio Cultural da Humanidade. Mas Dubrovnik, que tinha sido por séculos independente como a República de Ragusa, ainda era um símbolo de liberdade para os croatas. E o exército inimigo achava que capturá-la baixaria a moral dos croatas.

Nas palavras de Bogdan Bogdanovic, arquiteto e prefeito de Belgrado “O ataque em Dubrovnik – eu estremeço em dizer, mas eu devo dizer – foi intencionalmente lançado contra um objeto de extraordinária e simbólica beleza. Foi o ataque de um louco que joga ácido no rosto de uma mulher bela e lhe promete um rosto belo em troca.”

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

Em maio de 1992, o exército iugoslavo saiu da Croácia e atacou a Bósnia, entregando armamentos para o recém formado Exército da República Srpska. Eles organizariam o cerco de Sarajevo por mais de quatro anos, isolando a cidade e chocando o mundo. O impacto foi tão grande, que a Susan Sontag chegou a dizer que essa guerra pôs fim ao século.

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

Há um motivo pelo qual a maioria dos visitantes não sabe do que aconteceu na cidade. Ao contrário de cidades como Sarajevo, onde as cicatrizes da guerra continuam à mostra, Dubrovnik foi completamente reconstruída. Você não vê mas marcas de bala e de bombardeios. Quem tem o olho treinado, pode notar que algumas casas tem sessões em que as pedras são claramente mais novas que em outras partes, mas, fora isso, resta pouco do cerco que afetou 68% das construções da cidade.

Há dois museus, porém, que você pode visitar para saber mais sobre a guerra.

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

O primeiro é o War Photo Limited. Ele tem exposições de fotografia de guerra que sempre mudam, além de duas exibições permanentes: uma sobre a ex-Iugoslávia, e uma sobre o cerco de Dubrovnik. A maioria das fotos nesse post foram tiradas do site oficial deles. A entrada custa 40 kuna, ou 30 para estudantes. Ele fica aberto de junho a setembro das 10 às 22, em maio e outubro das 10 às 16, e fecha no resto do ano. Ele fica bem na cidade velha.

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

O segundo museu é o Homeland War Museum. Esse museu fala da República de Ragusa e da agressão Sérvia-Montenegrina. Se outros museus tentam ser diplomáticos, dizer que guerras são assuntos complicados, esse não pensa duas vezes em dar nome aos bois. Ele possui uma exposição de fotos, armas, minas terrestres, mapas de guerra, vídeos, etc. Ele fica no forte imperial acima de Dubrovnik, e o melhor modo de chegar lá é pegar o bondinho. O ingresso para o museu custa 25 kuna, ou, por 100 kuna, você pode ter acesso a vários museus em Dubrovnik. Ele fica aberto todos os dias, das 8 às 20.

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Crédito: War Photography Limited, site oficial

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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