Eu comecei minha viagem da Escócia por Inverness, depois de uma viagem de Megabus de 13 horas saindo de Londres. Quando as pessoas me perguntavam o que eu ia fazer tão longe, eu respondia “caçar o monstro, obviamente”.

Inverness, em gaélico boca do rio Ness, é considerada a capital das highlands. Um quarto da população da área mora nas redondezas. Ela também é conhecida como Portão de Entrada para as highlands, onde visitantes buscam uma versão romantizada da área, com gaita de foles, kilt (que é uma invenção moderna e não uma tradição escocesa, como o Hobsbawm mostrou em A Invenção das Tradições), castelos, paisagens incríveis e uísque.

 

 

Inverness é mais conhecida pela proximidade com o Lago Ness, ou Loch Ness em gaélico escocês, língua falada nas highlands. E o lago é mais conhecido, como todo mundo sabe, pelo monstro. Não se preocupe em procurar o monstro no lago, mas se você tiver interesse em Nessie, como ele é conhecido, vai achar milhares de souvenirs.

Inverness fica à beira do rio Ness, que depois se liga ao Loch, então muitos dos cruzeiros para turistas saem de lá.Eu fiz um passeio com um barco da Jacobite, e comprei o bilhete no escritório de turismo no centro da cidade. O rio também é conhecido pela pesca de salmão selvagem, então é boa notícia para quem gosta.

 

Depois de passar por um lock, já que eles tem níveis diferentes, você chega ao Loch Ness. Apesar da água ser super escura, ele é muito limpo.

 

Além de procurar o monstro, a maior atração é visitar o Castelo de Urquhart, que teve um papel fundamental nas Guerras de Independência da Escócia no século XIV. Ele foi destruído no século XIX para impedir que fosse usado pelos Jacobites, confirmando minha teoria que quase todo castelo da Escócia tem alguma história com os Jacobites. Ele ainda está em ruínas, mas é um dos castelos mais visitados da Escócia.

 

 

castelo-de-urquhart-4

Em Inverness, também fica o Castelo de Inverness. Diz a lenda que muitos castelos já foram construídos nesse lugar, e lá perto ficava o castelo em que Macbeth assassinou o rei Donnchad da Escócia, inspirando a peça de Shakespeare.

O Castelo seguinte foi tomado no século XVI, por negar admissão para a rainha Mary Stuart. Ele existiu até o século XVIII, quando foi explodido pelos Jacobites. Essa foi uma constante na Escócia, tudo tem muitas histórias interessantes, e Mary Stuart e os Jacobites aparecem sempre.

A versão nova foi construída logo depois, e hoje apenas os pátios estão abertos para visitação. Mas talvez o mais legal seja mesmo a vista do castelo cor de rosa na margem do rio.

 

 

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

8 comentários

  1. Olá Julia, em relação ao Kilt ser uma tradição moderna e inventada, conheço uma versão diferente. A verdade é que as tradições das Terras Altas foram banidas por cerca de 100 anos após os jacobitas perderem a Batalha de Culloden, assim o uso do Kilt e dos tartãs dos clãs foram proibidos. As cores fortes dos tartãs como conhecemos hoje são recentes, da era Vitoriana.Sabe-se também que durante a segunda Guerra os Escoceses usam kilt nos uniformes, tamanho o orgulho dessa tradição.

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    1. Oi, Lígia, tudo bom?
      Esses mitos de construção nacional são difíceis de tirar da mente das pessoas. Até hoje muitos brasileiros acham que feijoada era um prato feito com restos!
      Embora o tartan, o padrão geométrico, existisse na Escócia há séculos, o kilt foi inventado em 1707 – depois da união com a Inglaterra. Antes, se você procurar desenhos e descrições da época de como os highlanders se vestiam, vai ver que eles usavam camisas irlandesas ou túnicas. Nas lowlands, os homens de distinção usavam calças de um pano xadrez.
      A palavra kilt surgiu vinte anos depois da União e descrevia um manto pregueado, preso com um cinto em volta da cintura. O saiote moderno foi inventado por Thomas Rawlinson, um inglês de Lancashire. Ele trabalhava perto de Inverness, e notou como as roupas típicas escocesas não eram práticas para a vida em cidade. Ele apresentou a peça nova para Ian MacDonell, que começou a usá-la e logo foi imitado pelo resto do seu clã. E assim, o que conhecemos como kilt foi popularizado super rápido.
      Segundo autores do século XVI, também não existiam estampas diferentes para cada clã, mesmo na época dos mantos. Eles tinham cores diferentes para designar estatuto social, geralmente os chefes usavam vermelho, e seus seguidores, castanho. A gente vê quadros dessa época em que membros da mesma família usam mantos com padrões diferentes.
      Depois da Batalha de Culloden, em 1745, foram proíbidas várias coisas ligadas ao modo de vida as Highlands. A lei fala em “mantos, philibeg, trews, boldriés, tartans ou mantos e acessórios multicoloridos”, e durou 35, não cem anos. Durante esse tempo, as pessoas pobres que usavam esses trajes porque eram baratos realmente pararam de usá-los. Depois que a lei foi abolida, virou moda usar essas roupas entre as pessoas de Edimburgo e outras cidades grandes. Como essa não era a cultura deles, e sim das highlands, eles cometeram o erro de não usar as peças históricas como os mantos e trews, mas o moderno kilt. Foi só depois que o movimento romântico começar a exaltar os clãs que começou essa história de um padrão para cada clã diferente.
      Com o exército, foi a mesma coisa, exceto que a lei para eles só durou dois anos: eles foram eximidos da proibição em uma lei de 1747. Originalmente o seu uniforme era o manto com cinto, mas depois eles também adotaram o kilt.
      Em 1778, foi fundada em Londres a Highland Society, que teoricamente visava a proteger os costumes das highlands. Mas os fundadores, James e John MacPherson, logo ficaram conhecidos pelas falsificações históricas. O maior arqueólogo escocês da época, John Pinkerton, escreveu vários artigos mostrando os seus erros, mas eles foram popularizados nos romances de Walter Scott.
      Tudo isso está amplamente documentado, e foi mostrado, entre outros, no capítulo “A Invenção das Tradições: a tradição das Highlands da Escócia”, de Hugh Trevor-Roper, parte do livro A Invenção das Tradições, organizado pelo Hobsbawm. O livro fala não só dessa, mas de vários costumes modernos que depois, por romantismo, patriotismo, ou qualquer outra razão, foram feitos passar por antigos e continuam assim no senso comum. Se te interessar, depois dá uma olhada no livro ; )

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      1. Ei, Julia, tudo bom comigo.
        É sempre pessoal, mas por enquanto todo mundo para quem eu perguntei falou Skye! É porque lá é lindo demais mesmo, né?
        Acho que vou é para lá mesmo.
        Abraços

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