No alto de um rochedo, o Castelo de Edimburgo é visível de toda a cidade.

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Vista do Prince’s Street Garden

Na sua história de mais mil anos, ele foi sitiado pelo menos 26 vezes, o que torna o castelo o mais sitiado da Grã-Bretanha e um dos mais atacados do mundo.

Até os anos 20 do século passado, ele ainda era uma fortaleza, mas desde então abriga vários museus e se tornou um símbolo da cidade e do país. Por isso ele fica na nota de 5 libras escocesas. O dinheiro escocês é diferente do inglês, o que eu só descobri lá, mas apenas no design (e alguns extremistas dos dois lados da fronteira não aceitam o dinheiro do outro, mas é um problema raro).

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Essas são algumas das histórias interessantes do Castelo de Edimburgo que aprendi lá.

 

William Wallace e Robert the Bruce

Na entrada você vê estátuas de William Wallace e Robert the Bruce, vulgo Mel Gibson e Angus Macfayden em Coração Valente. Só que nada naquele filme é acurado.

William Wallace era um cavaleiro escocês que ficou conhecido pela sua vitória contra os ingleses na batalha da Ponte de Stirling. Em outra invasão inglesa, ele foi capturado e morto, mas suas vitórias abriram caminho para a ascensão do rei Robert the Bruce. Diz a lenda que seus homens conquistaram o Castelo escalando a rocha. Do lado das estátuas está o lema “nemo me impune lacessit”, ou “ninguém pode me machucar com impunidade, o que é tanto o lema dos Stuart como dos Montresor, em um dos melhores contos do Poe.

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Uma capela entre as construções mais antigas da cidade

Dentro do Castelo, você pode visitar a capela de Santa Margarida, uma das construções mais antigas de Edimburgo.

Santa Margarida era uma princesa na Inglaterra, de onde fugiu com a invasão dos normandos sob William, o Conquistador. Ela teria ficado conhecida pela sua fé, e seu filho, o rei David, construiu a capela. Quando Robert the Bruce tomou o castelo, esse foi um dos poucos prédios que ele não destruiu. Mas ele acrescentou um vitral, dedicado a William Wallace.

Os guardas do palácio ainda tem permissão de se casar lá dentro.

O Jantar Negro

Em 1437, James II se tornou rei da Escócia, com apenas 7 anos. Seu primeiro regente foi o Earl of Douglas, que porém faleceu dois anos depois. Então os Crichton e os Livingstone começaram a lutar pelo poder, frequentemente transportando a criança entre o castelo de Edimburgo e o Castelo de Stirling.

Em 1440, eles finalmente entraram em um acordo, e chegaram a conclusão que a família dos Douglas, nobres muito poderosos na corte, ainda era um risco para o rei. Eles não podiam atacar o novo Earl em seu castelo, onde ele tinha muito poder, então o chamaram para jantar no Castelo de Edimburgo. O rei de dez anos presidiu um banquete para o Earl de dezesseis anos e seu irmão de onze. Depois do útimo prato, os serviçais trouxeram a cabeça de um touro em um prato, um sinal de morte súbita. Os dois meninos da família dos Douglas foram levados para fora do castelo, receberam uma paródia de um julgamento, e foram executados na frente do jovem rei.

Vários livros foram escritos inspirados nas execuções e na quebra do direito de hóspede, notoriamente as Crônicas de Gelo e Fogo do George R. R. Martin, inspirando o Red Wedding de Game of Thrones. Se você acha que aquela cena não podia ser pior, imagina que eles tinham as idades de suas contrapartes da vida real.

 

Mary Stuart sitiada

Quando a rainha Mary Stuart se casou com François II, então herdeiro do trono francês, a enorme peça de artilharia chamada de Mons Meg foi disparada, o que aconteceu poucas vezes. Anos depois, nos Apartamentos Reais, Mary Stuart deu a luz a seu filho, James VI da Escócia. Seu segundo marido, lord Darnley, foi assassinado um pouco depois e o maior suspeito era Lord Bothwell. Ela a sequestrou logo depois, e existe uma divergência se foi realmente um sequestro ou se eles eram amantes e encenaram uma fuga. De qualquer modo, eles se casaram um pouco depois, o que foi profundamente impopular. O castelo foi sitiado, e ela foi obrigada a abdicar em favor do filho de um ano. Ele, além de James VI da Escócia, se tornaria eventualmente James I da Inglaterra, unificando os reinos. Ela seria prisioneira pelo resto da vida, primeiro na Escócia, depois na Inglaterra, antes de ser executada por ordem da rainha Elizabeth.

 

A Pedra do Destino

No Palácio Real, construído no século XV, dá para visitar as Honras da Escócia, a coroa real, o cetro e a espada, e a Pedra do Destino. A Coroa da Escócia foi considerada perdida por muito tempo, até que foi encontrada por Sir Walter Scott, o famoso escritor, no século XIX. A Pedra era usada na coroação de monarcas escoceses desde o século X. No século XIII, ela foi capturada por Edward I, o Martelo dos Escoceses, rei da Inglaterra, que fez uma cadeira de madeira onde ela se encaixava, de forma que ele também se sentava na Pedra do Destino. Isso foi visto como uma humilhação pelos escoceses, que tentaram negociar o retorno da pedra. Apesar das tentativas e da unificação dos reinos alguns séculos depois, ela permaneceu na Inglaterra por mais de setecentos anos.

Nos anos 50, um grupo de estudantes entrou de noite na Abadia de Westminster em Londres, e roubou a pedra. Eles deixaram que ela caísse e ela se quebrou em dois pedaços. O governo inglês organizou uma busca nacional pela pedra, e a acharam depois de quatro meses.

Finalmente, ela foi devolvida para a Escócia em 1996.

 

O Castelo resiste aos Jacobites

Depois da Restauração da Monarquia depois da Revolução Puritana, o rei Charles II resolveu manter um exército regular no Castelo, segundo o Novo Exército Modelo de Cromwell. O castelo medieval foi transformado em fortaleza.

Em  1715, os rebeldes da primeira insurreição Jacobita quase tomaram o Castelo escalando a pedra à noite, como Robert the Bruce tinha feito quatrocentos anos antes. Alguns anos depois, Bonnie Prince Charlie, na segunda insurreição Jacobita, capturou a cidade sem luta, mas não conseguiu tomar o castelo por falta de armamento pesado.

 

Susto Napoleônico

A maioria das construções feitas depois disso se devem ao próximo grande susto militar, as campanhas de Napoleão. Alojamentos para soldados e celas foram construídos, assim como a Governor’s House. Nas celas do subterrâneo, ainda dá para encontrar graffiti feito por prisioneiros americanos e franceses, capturados na Independência dos Estados Unidos e nas guerras contra Napoleão.

 

Como escapar dos nazistas para highlanders

Um dos museus la dentro, o Museu Nacional de Guerra da Escócia, conta a história das guerras em que a Escócia esteve envolvida nos últimos quatro séculos, além de ter exibições de uniformes e armas.

A melhor história que eu li lá era a de um grupo de soldados das highlands capturados pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Eles se comunicavam em gaélico, e nenhum dos intérpretes que seus inimigos encontraram foi capaz de entender algo ou ao menos identificar a língua. Alguém trouxe um mapa da Europa e pediu que eles apontassem de onde eram. Um deles apontou a Ucrânia. Como a Alemanha ainda era aliada da URSS nesse ponto, eles liberaram os soldados para prosseguir, e eles conseguiram voltar para casa.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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