Em Edimburgo, fiquei no albergue Castle Rock, e, segundo o Lonely Planet, só tem como ficar mais perto do Castelo de Edimburgo se você acampar na grama. Do Castelo ao Palácio de Holyrood, fica a chamada Royal Mile, caminho cheio de atrações e turistas, com a extensão de uma milha escocesa (1,81 km).

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O início da Royal Mile é o Castelo de Edimburgo

Lá pertinho ficava o Cafe Hub, um café interessante porque fica dentro de uma antiga igreja. Não foi a única igreja desativada que vi lá, também tinha um pub com tema de filmes de terror chamado Frankenstein em uma ex-igreja.

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Logo depois fica o Lawnmarket, uma área da cidade cheia de lojinhas, restaurantes e música ao vivo. Foi lá que encontrei o tour do Sandeman’s, que fiz no meu primeiro dia em Edimburgo para conhecer melhor a cidade.

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Depois fui à Catedral de St. Giles, que ainda tem esse nome embora não seja mais tecnicamente uma catedral. A parte mais interessante é a capela do Cardo. Supostamente, essa é a flor nacional da Escócia porque um invasor normando, saindo de seu acampamento à noite, pisou em um cardo e gritou de dor, alertando os escoceses da presença de seu exército. Bem vindo à Escócia, onde o animal nacional é imaginário e a flor nacional te machuca.

Em frente a St. Giles, vi um mosaico de coração conhecido como the Heart of Midlothian, como o romance de Walter Scott. Você pode ver turistas tirando fotos fofinhas em cima, ou se beijando em cima do coração, mas pode notar que os locais evitam passar por cima do coração.

É que ele fica onde era a porta de uma prisão de onde saíam os condenados à morte. E as pessoas de Edimburgo cospem no lugar para mostrar seu desdém pelo lugar. E depois que surgiu o time de futebol Heart of Midlothian, os torcedores de times rivais também começaram a cuspir no lugar, então os próprios torcedores do time para dar boa sorte… Em resumo, melhor fazer como os escoceses e evitar pisar no coração.

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Lembra que eu falei da prisão? Atrás de St. Giles fica o Mercat Cross onde faziam proclamações, execuções públicas, e prendiam pelas orelhas aqueles pegos cometendo um crime. Eles eram condenados a ficar lá por algum tempo, e depois tinham que se soltar sozinhos, o que frequentemente fazia com que perdessem um lóbulo. Não ter um lóbulo era uma ficha suja, que te impedia de ser contratado daí em diante.

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O Parlamento Escocês fica logo ao lado do palácio de Holyrood. Por também ser na área de Holyrood, o bairro sempre é usado como metonímia, como eles chamam o parlamento inglês é chamado de Westminster. O prédio foi planejado por um arquiteto catalão chamado Enric Miralles, e pretendia refletir a paisagem escocesa e a cultura da cidade de Edimburgo. Apesar da boa recepção por parte dos críticos, a reação do público foi mais controversa. O lugar, o arquiteto estrangeiro, os custos, tudo na construção foi bem polêmico.

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Crédito: site oficial

No fim da Royal Mile, vi o palácio de Holyrood, a residência oficial do monarca do Reino Unido na Escócia. Visitantes ainda dizem que conseguem ver no chão o sangue de David Rizzio, o secretário da rainha Mary Stuart, que foi assassinado na frente dela. Durante a insurreição dos Jacobites, o palácio foi brevemente ocupado por Bonnie Prince Charlie (se você quer conhecer a história dos Jacobites, clique aqui para ler o post sobre o Eilean Donan Castle). Um dos irmãos de Luis XVI morou em Holyrood por anos, aproveitando o status de santuário do palácio para evitar seus credores.

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Crédito: wikipedia commons

A abadia de Holyrood fica ao lado, conservada em ruínas. Não consegui visitá-los porque cheguei lá justamente quando a rainha estava visitando, e o palácio fica fechado.

Parte do palácio é a Queen’s Gallery.

A distância é curta, mas esse é um passeio que pode demorar dias se você parar em todos os lugares, já que muitas das principais atrações de Edimburgo estão aqui. Só no Castelo de Edimburgo passei quase um dia inteiro.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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