Edimburgo é uma cidade incrível. Você pode andar em uma rua sem entender porque ela se chama ponte, e depois notar que há ruas abaixo. Você pode achar que um prédio é pequeno, com apenas três andares, apenas para olhá-lo de outro ângulo e descobrir que ele fica em um declive e do outro lado são oito andares. Construída entre dois vulcões extintos, a cidade já foi chamada de Manhattan Medieval, já que a superpopulação fez com que existissem prédios de até doze andares, e de Atenas do Norte, pela beleza e valor cultural – definitivamente não pelo sol.

 

Edimburgo hoje é conhecida como Cidade de festivais. Em agosto, tem o Festival Internacional, o Fringe Festival e o Military Tattoo, enquanto durante o ano novo tem o Hogamanay.

O que não quer dizer que falta o que fazer no resto do ano. Já falei do Castelo de Edimburgo e da Royal Mile, mas esses são alguns dos outros lugares que eu visitei em Edimburgo e que foram incríveis.

O Prince’s Garden Street é super agradável e um ótimo lugar para passar a tardinha curtindo a vista. De lá você pode ver o Castelo e a National Gallery of Scotland, por exemplo.

O National Museum of Scotland é conhecido pelas bizarrices. Além de ter exposições sobre a história do país e exibições de história natural, ele tem 11 peças do jogo de xadrez de Lewis, um dos poucos jogos completos da Idade Média (as outras peças estão no Museu Britânico), o corpo mumificado da ovelha Dolly, ternos do Elton John ou The Maiden, um antecessora da guilhotina.

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Crédito: wiki commons

Falando em bizarrices, Edimburgo tem a fama de ser uma das cidades mais mal-assombradas do mundo. Um dos melhores lugares para ver isso são os Edinburgh Vaults, as câmaras formadas pela construção da South Bridge. Durante anos elas foram usadas como tavernas, até que começaram a ser usadas para guardar materais ilícitos. Diz a lenda que isso inclui os corpos dos mortos pelos serial killers Burke e Hare, que vendiam os corpos para lições de anatomia. Durante algum tempo, os arcos foram onde moravam os mais pobres de Edimburgo, sem luz solar ou circulação de ar, e com altos índices de crime. Hoje são mais comuns nos Ghost Tours, o Sandeman’s tem um.

Na área de Lawnmarket, fui ver o Museu dos Escritores, que conta a história de três escritores: Robert Burns, Walter Scott e Robert Louis Stevenson. No pátio em que ele fica, você pode ler citações literárias no chão.

Ele fica em um dos closes, os pátios de Edimburgo.

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Também fui ver Greyfriars Kirk, uma igreja cercada por um pequeno cemitério. Ele é bem famoso por Greyfriars Bobby, um Skye Terrier que após a morte do seu dono passou 14 anos protegendo o seu túmulo. Ele virou uma figura famosa entre os habitantes de Edimburgo, que o alimentavam e cuidavam dele. Cachorros de rua eram proibidos, então ele foi feito cidadão honorário de Edimburgo. O que significa que um Skye Terrier tinha teoricamente o direito e votar, em uma época em que mulheres não tinham. Quando ele morreu, ele não podia ser enterrado no cemitério, não sendo cristão, mas foi enterrado logo na entrada da igreja.

Dentro da igreja, você pode ver que vários túmulos estavam cercados de grades. Eles não tinham medo do apocalipse zumbi, mas de ladrões que quisessem roubar os corpos.


Para uma vista da cidade, você pode subir no Wallace Monument.

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Não é alto o bastante? Tente o Arthur’s Seat. Leve um piquenique e curta a tarde. Para continuar no assunto de assombração, foram encontrados lá dezessete caixões minúsculos, com cerca de dez centímetros. Dentro, bonecas com roupas diferentes. Elas foram encontradas no século XX, mas até hoje ninguém tem idéia de para que serviam ou quem as enterrou. Teorias vão desde magia negra a rituais para honrar um amigo que morreu longe. Se você quiser vê-las, elas estão no National Museum of Scotland.

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Crédito: Edinburgh Spotlight

Eu não cheguei e a ir em Arthur’s Seat, mas pensei em lá quando vi esse coelho em Prince’s Street Gardens. Os fãs de cinema vão reconhecer essa cena.

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Parte do incrível O Mágico, do Sylvain Chomet, que se passa nas Highlands e em Edimburgo. E que me faz chorar toda vez que vejo.

Eu fui a Calton Hill pela vista. O Monumento Nacional, feito em homenagem ao Partenon (Atenas do norte, lembram?), nunca foi terminado por falta de dinheiro. Ele originalmente devia ser bem maior, e abrigar os corpos de soldados escoceses mortos durantes as guerras napoleônicas. Ele ficou conhecido por vários apelidos como  “Scotland’s Disgrace”, “Edinburgh’s Disgrace”, “the Pride and Poverty of Scotland” and “Edinburgh’s Folly”. Apesar disso, hoje ele é mais aceito pelo que é.

 

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

4 comentários

  1. Ei, Julia

    Ai, espero que para mim seja tranquilo assim, haha. Ainda mais que também vou ficar em albergue, e não posso ver netflix se tiver com insônia!
    Mas nossa, to muito empolgada para o Fringe!

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  2. Oi, uma amiga me recomendou seu blog porque to indo para Edimburgo. Gostei muito das recomendações dos lugares estranhos, hahaha.
    Queria te perguntar umas coisas. Você foi no verão? Teve dificuldade para dormir? Me falaram que é muito difícil porque quase não fica escuro.
    Você chegou a ver os festivais? Quieto muito ir.
    Obrigada,
    Abraços,
    Camila

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    1. Oi, Camila, tudo bom?
      Espero que as informações estejam te ajudando!
      Eu fui no verão sim, o sol se punha depois das 11 e as 3 da manhã já tava meio claro. Mas não achei muito difícil dormir, os albergues tinham cortinas, e eu ficava exausta depois de andar o dia todo. Afeta algumas pessoas mais do que outras, eu suponho.
      Não cheguei a ver os festivais, infelizmente! Minhas aulas voltaram em agosto, que é quando eles acontecem. Eu fui para lá em início de julho, e vi eles montando as estruturas. Parecem incríveis!
      Abraços

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