A minha experiência em Ulcinj começou pessimamente. Minha amiga e eu saímos da rodoviária e ela perguntou para um cara qual era o caminho para a Cidade Velha. Ele olhou para ela e não respondeu. Ela perguntou para um segundo e ele gritou algo em albanês. Um outro cara que estava passando, ao ouvir, começou a gritar com a gente, fazendo sinais vulgares com as mãos para ter certeza que a gente tava entendendo as grosserias. Nós começamos a andar meio perdidas e um grupo de homens passou por nós, com novos gestos obscenos. A essa altura eu já tava pensando “por que todo mundo nessa cidade é babaca?”

Nós passamos então por dois homens mais velhos e minha amiga montenegrina perguntou onde era a Cidade Velha, dessa vez em inglês. Eles olharam a gente de cima a baixo  perguntaram de onde éramos. Ela mentiu que nós duas éramos do Brasil, e assim conseguimos uma indicação do caminho.

Créditos: the Balkan Backpacker e Abadanajour

Ulcinj, embora em Montenegro, é de maioria albanesa e muçulmana. Eu tentei aprender mais sobre a região, mas não tenho certeza porque eles acharam ruim ela perguntar em montenegrino. De qualquer forma, nada explica porque uma pessoa acha que porque você é de outra etnia/país/religião/etc, eles tem o direito de te assediar (ironicamente, ela é da mesma religião que eles, só não fala albanês).

Crédito: 123rf e Holiday lettings

A caminhada até a Cidade Velha foi toda fazendo essa reflexão, e até aquele momento eu não estava gostando nada de Ulcinj. Mas chegando lá, ela me venceu. A vista de baixo da entrada de pedra da Cidade Velha, e a vista lá de cima de todos os minaretes da cidade eram lindas. Essa parte da cidade está bem dilapidada depois de um terremoto nos anos 70, mas é super charmosa, especialmente pensando que a maioria dos prédios lá ainda são casas e não armadilhas para turistas.

ulcinj cidade albanesa montenegro
Cidade velha de Ulcinj

Crédito para as duas fotos embaixo: panoramio e Wikicommons

Nós passeamos pela cidade, e depois descemos de novo as escadarias e almoçamos em um restaurante na praia, surpreendentemente barato e delicioso (e foi onde comecei meu caso de amor por Ćevapi com cebola crua e Kajmak, algo que continuaria pela Bósnia). E o garçom foi super simpático, mesmo quando ela contou que era de Montenegro.

O que eu mais gostei da cidade foi como ela era diferente das outras cidades de Montenegro. Passando pela costa, você vem de Kotor e chega em um lugar em que a arquitetura é completamente diferente. O Lonely Planet diz que é um gostinho da Albânia sem precisar cruzar a fronteira (e que, inclusive, é mais charmosa que as cidades litorâneas na Albânia, o que ainda não tive a oportunidade de conferir). Mas foi isso que mais gostei no país, como ele é minúsculo mas você passa por lugares completamente diferentes.

Leia mais aqui sobre Montenegro.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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