Em uma cidade conhecida por ter um grande número de museus, esse realmente se destaca com sua proposta única.

Esse museu é cheio de falsificações famosas e cópias de pinturas de grandes artistas. A obra mais famosa do museu, e talvez a falsificação mais famosa do mundo, é o falso Vermeer feito pelo holandês Han van Meegeren. Ele ficou bem famoso ao ser processado na Holanda depois da Segunda Guerra, sendo acusado de vender uma obra de Vermeer aos nazistas. Na tentativa de evitar isso, holandeses tinham comprado várias outras pinturas da sua coleção de ‘grandes mestres’. Com o risco de pegar a pena de morte por traição, van Meegeren confessou que ele tinha falsificado a pintura, e provou, pintando outro Vermeer na frente da corte.

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Créditos: Wikicommons

Outro falsificador com obras no museu, Tom Keating, era conhecido por plantar ‘time bombs’ e anacronismos nas suas pinturas. Ele considerava que o sistema estava corrompido por colecionadores gananciosos, que queriam tirar vantagem tanto de colecionadores ingênuos quanto de artistas empobrecidos. Então ele escrevia com chumbo nas pinturas, sabendo que isso seria visto por raios-x. Com seus conhecimentos de química, ele fazia falsos Rembrandts com tintas que se dissolveriam quando a pintura precisasse ser limpa, o que acontece regularmente com pinturas a óleo verdadeiras. Quando ele foi preso, ele estimava que tinha cerca de 2000 pinturas em circulação.

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Créditos: Art Crime Illustrated

Eric Hebborn, um falsificador britânico, tinha desenhos frequentemente reconhecidos de grandes mestres por grandes críticos. Mesmo depois que suspeitas surgiram, ninguém conseguia provar que ele era o falsificador porque ele era “bom demais”, Quando ele foi exposto, ele acusou os críticos de arte de estarem dispostos a reconhecer pinturas falsas por lucro e publicou dois desenhos de Corot, um verdadeiro e um forjado por ele, e desafiou especialistas de arte do mundo inteiro a dizerem qual era qual. Pouco depois ele foi encontrado assassinado em uma rua em Roma. O crime nunca foi resolvido.

Créditos: Art Crime Illustrated

Durante investigações, críticos e curadores frequentemente se recusam a cooperar, com o medo de que sua expertise seja questionada, e museus e galerias frequentemente se recusam a entregar pinturas, para não depreciar a própria coleção. Esse museu faz justamente o contrário, celebrando as falsificações e as vidas frequentemente românticas dos falsificadores.

É um museu bem pequeno, mas você pode passar mais de uma hora só lendo as histórias dos quadros e dos falsificadores. Brochuras estão disponíveis em meia dúzia de línguas.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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