A cultura árabe é bem polêmica na França. Em alguns lugares públicos, véus são proibidos, e tentaram proibir o bíquini muçulmano, o burkini, nas praias francesas. Alguns vêem isso como luta contra o machismo de uma religião que subjugaria a mulher, outros vêem como pura xenofobia e paternalismo, outro estado fazendo leis sobre como uma mulher deve se vestir, justamente o que eles dizem combater.

Por isso é tão legal que em um lugar central da cidade exista esse museu, dedicado a mostrar a cultura árabe sob um novo olhar.

Essa missão começa pelo prédio que incorpora elementos tradicionais árabes e os mistura com o high tech. Na fachada, vemos uma releitura dos mosaicos árabes e dos muxarabies, os treliçados de madeira típicos da cultura árabe que tem a função de filtrar a luz e permitir que quem está do lado de dentro veja o lado de fora mantendo a própria privacidade. Só que ao invés de serem de madeira, eles são mecanismos metálicos que se abrem e fecham de acordo com a luz externa. Eles funcionam como o diafragma de uma câmera.

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O museu tem uma coleção permanente, que fala de arte, design, invenções e cultura árabes. Ele também tem bibliotecas, centros de pesquisa, uma escola de árabe e mostras de filmes, geralmente com legendas em francês. Também são eles que realizam o Prêmio de Literatura Árabe, que fez muito para disseminar a literatura árabe contemporânea.

Eles também tem exposições permanentes incríveis. Uma vez vi uma ótima sobre os contos das Mil e Uma Noites, com pergaminhos e manuscritos muito antigos, que tentava contar a história do livro e jogar uma luz sobre alguns de seus mistérios. Clique aqui para saber o que tá rolando agora.

 

O último andar do museu é conhecido por ter uma vista ótima de Paris e pelo Zyriab, restaurante de comida libanesa. Se você quiser só ir ao terraço, não precisa pagar a entrada do museu. Ou seja, comida, cultura e vista. Não é à toa que esse lugar, embora não tão famoso com os turistas que ficam pouco tempo na cidade, é um preferido dos locais.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

2 comentários

  1. Eu morei em Paris por um ano e esse era mesmo um dos meus lugares preferidos! Aqui no Brasil o povo tem muito preconceito com muçulmanos e nem conhecem. Precisamos conhecer mais.

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