No filme Bande à Part, do Godard, os protagonistas ouvem falar de um americano que visitou o Louvre em nove minutos e 45 segundos, e decidem fazer melhor.

 

Vejo muita gente planejando suas visitas ao Louvre praticamente assim, a rota mais rápida entre a Mona Lisa e a Vênus de Milo e depois ir embora, pronto, já visitamos esse lugar obrigatório. Se você, gostando de museus ou não, quer fazer um trajeto diferente, e ver mais do que a maioria das pessoas, aqui estão umas dicas para aproveitar a visita o melhor possível.

Pule a fila

A fila do Louvre pode chegar a durar várias horas, então a primeira dica é para evitar já entrar no museu cansado. A primeira forma é simples: acorde cedo e chegue assim que o museu abre. Mas você também pode fazer o contrário, e vir de noite. Às quartas e sextas, o museu fica aberto até às dez, e fica mais vazio nesse horário. Você também comprar o Paris Museum Pass, que permite furar a fila e entrar diretamente no museu (prefira a entrada do Carrosel do Louvre, onde a fila de segurança fica menor). Se você pretende ver outras das atrações mais famosas de Paris, esse passe vale muito a pena. Ele inclui muitos lugares, inclusive várias atrações caras como o Palácio de Versalhes.

Uma forma de evitar multidões até me dói em falar, mas evite os dias gratuitos. Ou, melhor ainda, passe o dia gratuito em sessões menos visitadas do Louvre e vá em outro dia ver a Vênus de Milo – Vitória de Samotrácia – Mona Lisa.

Pirâmide do Louvre

Saiba o que trazer

O Louvre é gigantesco, então não se esqueça de vestir roupas confortáveis e trazer uma garrafa de água. Para garantir a conservação das obras, ele também pode ter temperaturas diferentes em áreas diferentes, então vista-se em camadas.

O audioguide vale a pena

Em um palácio do tamanho do Louvre, ficar perdido é bem fácil. Eu olhava para o mapa com cara de ponto de interrogação a cada meia-hora. E o audioguide do Louvre me salvou mais de uma vez. Ele é um nintendo DS, e tem a opção de colocar o número do quadro mais próximo de você, colocar o quadro que você quer ver, e ele te mostra o caminho.

Você também pode baixar o aplicativo do Louvre no seu celular e colocar o que você quer ver, criando seu tour personalizado. Ambos também oferecem alguns itinerários prontos, para mostrar os highlights do museu ou para ver melhor alguma parte. O app tá disponível no Google Play e na Apple Store em francês, italiano, inglês, espanhol, alemão, coreano e japonês.

É claro, ambos também servem para as funções tradicionais de um audioguide, e fazem comentários de centenas de obras. Os comentários ao lado dos livros são pequenos e em francês.

Olhe ao redor

Essa parece óbvia, mas vale ser repetida. Não passe correndo por cinco pinturas de Leonardo da Vinci para chegar correndo à Mona Lisa. Até porque você vai vê-la na tela do iPad do mala tirando fotos na sua frente, enquanto as outras podem ser apreciadas sem multidões nem um vidro criando reflexos. Aceite. A Mona Lisa foi sacrificada às massas e você vai vê-la melhor em livros de arte do que no Louvre.

Auden uma vez disse que nenhum livro é lembrado injustamente, embora alguns sejam injustamente esquecidos. Podemos falar o mesmo das obras do Louvre: as mais famosas o são por um motivo, e vale a pena vê-las, mas várias outras também valem. Procure-as.

turistas-tirando-fotos-da-mona-lisa
Turistas fotografando a Mona Lisa, do site Techy

Concentre-se em uma parte

É impossível ver todo o Louvre. Ele tem cerca de 35 mil objetos em 60 mil metros quadrados. Então pode ficar mais fácil se você focar em uma ou duas partes que te interessam mais. Esses são alguns dos setores do Louvre:

  • Antigüidades Orientais, dividido em três departamentos: Levante (atual Síria), Mesopotâmia (atual Iraque) e Pérsia (atual Irã). Uma das peças mais famosas é o Código de Hamurabi.
  • Antigüidades Egípcias, que inclui peças desde a pré-história e uma igreja copta inteira. Ele foi criado para receber a Pedra de Rosetta, que permitiu a tradução de hieróglifos, mas que está hoje no Museu Britânico.
  • Antiguidades Gregas, Etruscas e Romanas, aqui ficam várias obras famosas, como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e várias menos famosas mas igualmente interessantes.

Vênus de Milo Vitória de Samomtrácia, créditos: wikicommons

  • Esculturas, uma coleção originalmente composta apenas de escultura antiga, com a exceção do Escravo Morrendo e do Escravo em Rebelião de Michelangelo. Só na metade do século XIX a coleção aumentou consideravelmente, embora as esculturas mais modernas depois tenham sido mandadas para o D’Orsay. Psyché revivida pelo beijo de Cupido, Antonio Canova

Escravo Morrendo Psiquê revivida pelo beijo de Cupido, créditos: wikicommons

  • Pinturas francesas, aqui o nome é bem auto-explicativo, mas vale a pena lembrar que é aqui que você vai encontrar muitas das pinturas que ilustravam o seu livro de história. Lembre-se que o Louvre só tem pinturas feitas até 1850, as obras feitas depois disso ficam no D’Orsay, L’Orangerie, no Centre Pompidou e no Palais de Tokyo, além de museus dedicados a um artista como o Musée Marmottan-Monet e o Musée Picasso.

A liberdade guiando o povo, Eugène Delacroix. A Coroação de Napoleão, David, créditos: wikicommons.

  • Pinturas da Europa do Norte, o que inclui a Holanda, a Bélgica, a Escandinávia e a Alemanha.

Autoretrato, Dürer, Bethsabé, Rembrandt, A Rendeira, Vermeer. A Virgem do Chanceler Rolin, Van Eyck, créditos: wikicommons.

  • Pinturas Italianas, uma das maiores partes do museu. A Grande Galeria costumava ligar o Louvre ao Palace des Tuilleries, que foi destruído em um incêndio durante a Comuna.

Virgem dos Rochedos, de Da Vinci. A Adivinha, Caravaggio e As Bodas de Canãa, Veronese, créditos: wikicommons

  • Pinturas Espanholas, uma parte pequena, mas com várias pinturas famosas de pessoas como El Greco, Goya e Velásquez.

São Luis, rei da França e um Pajem, El Greco, Retrato da Condessa de Carpio, Goya.

  • Pinturas da Grã-Bretanha e Estados Unidos, uma parte ainda bem pequena e recente, mas que tem alguns dos principais pintores desses países, como Turner e Thomas Gainsborough.
  • Desenhos, Gravuras e Estampas, composta em grande parte pelas coleções do barão de Rotschild.
  • Artes da África, Ásia, Oceania e Américas, uma parte pequena, mas variada. Se você se interessa por essa parte, vale conferir o museu do Quai Branly.
  • O Pavilhão do Relógio, que conta a história do Louvre desde o palácio medieval. 

Pirâmide do Louvre 2

Tire folgas

Você pode tomar um café em um dos muitos cafés dentro do Louvre (se você escolher o Café Molien, na ala Denon, dá até para comer uma baguete por preços não absurdos). Ou pode simplesmente escolher um lugar que te agrade e sentar por lá, como eu fiquei meia hora encarando a Betsabé do Rembrandt. O importante é não achar que você tem que ficar o tempo todo procurando algo novo para ver. Lembre-se: visitar o Louvre não é corrida de cem metros, é maratona.

Preste atenção aos seus pertences

No Brasil, a gente tem uma impressão de que os lugares em que a gente paga para entrar são seguros. Mas o Louvre é bem conhecido pela quantidade de pickpockets, e houve até uma greve dos funcionários para protestar isso há alguns anos.
Espero que essas dicas ajudem a planejar uma ótima visita ao Louvre! Depois contem para a gente nos comentários.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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