Embora Paris seja mais conhecida como a cidade da Belle Époque, a sua história começa ainda no Império Romano. Séculos e regimes deixaram cada um a sua marca na cidade, e podem ser visitados, se você souber onde procurar. Vamos começar pelo princípio.

Império Romano

Paris foi fundada originalmente como Lutetia, ou Lutèce em francês, durante o Império Romano. E como outras cidades da época, ele tinha um gigantesco anfiteatro que servia para lutas de gladiadores. As Arènes de Lutèce não são tão bem preservadas como as arenas de outras cidades, inclusive algumas no sul da França, mas têm a grande vantagem de serem hoje uma praça, com entrada gratuita e sem multidões.

Arènes de Lutèce

A outra maior ruína da Paris Romana são as casas de banho das Thermes de Cluny, embora o prédio atual tenha só um terço do tamanho do original. A parte mais bem preservada é o frigidarium, a piscina fria que os romanos frequentavam ao final dos banhos. Hoje, o edifício serve como o Museu Nacional da Idade Média.

Idade Média

Um dos símbolos de Paris é a Catedral de Notre-Dame, considerada um dos melhores exemplos de gótico francês. Ela começou a ser construída em 1160, e ficou pronta em torno de 1345.

São Bartolomeu

Quando os sinos da Igreja de Saint-Germain l’Auxerrois tocaram na noite de 23 de agosto de 1572, eles deram o sinal para um massacre. Era o dia do casamento da princesa francesa Marguerite de Valois com o rei Henri de Navarra. Ele era um huguenote, ou protestante, e o pretexto do casamento era o de pôr fim às Guerras de Religião. Ao invés disso, e ainda se discute por ordens de quem, milhares de protestantes que tinham vindo a Paris para ver o casamento foram assassinados. O próprio Henri sobreviveu ao se converter ao catolicismo, o que ele abjurou depois de escapar de Paris. Durante a vida, ele se converteria outras sete vezes, na última, para assumir o trono da França, depois da morte dos seus cunhados. Ele teria então dito “Paris vale bem uma missa”.

800px-Saint-Germain_l'Auxerrois_edit.jpg

A Revolução

Dois lugares são talvez os mais óbvios quando se pensa na Revolução Francesa, a Praça da Bastilha, onde ficava a fortaleza destruída em 1989, e a Place de la Concorde, onde ficava a guilhotina. Para ver outros lugares, clique aqui no nosso post sobre lugares interessantes da Revolução Francesa.

Napoleão

Arco do Triunfo foi construído em Paris a partir de 1806, quando Napoleão teve sua maior vitória em Austerlitz. Ele pretendeu que a estrutura fosse modelada dos Arcos do Triunfo que existiam em Roma, mas o Imperador foi deposto antes que ele ficasse pronto. Em 1840, suas cinzas foram trazidas da Ilha de Santa Helena e passaram debaixo do Arco antes de chegar ao Hôtel des Invalides, onde foram enterradas. Hoje ele é um museu de história militar. O Arco agora é o lar do túmulo de um Soldado Desconhecido da primeira guerra mundial.

Belle Époque

Se tem um nome responsável pela imagem que temos de Paris nas nossas cabeças, esse é o barão de Haussmann. Foi ele que abriu os Grand Boulevards, novos parques e praças, anexou os subúrbios ao redor de Paris e construiu esgotos, fontes e aquedutos.

Comuna

Depois que a guerra Franco-Prussiana terminou com o terceiro Império, Paris foi sitiada por quarenta dias. Nesse momento, um grupo de revolucionários conseguiu tomar o poder, entre 18 de março e 28 de maio de 1871. Eles fizeram várias medidas nesse período, como abolir a pena de morte, separação da Igreja e do Estado, abolição do trabalho noturno quando não-essencial, o direito dos empregados de tomarem o poder em fábricas abandonadas pelos proprietários. Mulheres tiveram uma participação muito grande na comuna, e muitas exigiam o direito ao voto e à igualdade salarial, que ainda não eram realidade em lugar algum do mundo.

Quando o exército entrou em Paris para reprimir a comuna, seus defensores colocaram barricadas na cidade e tentaram lutar. O último lugar que eles mantiveram foi o Cemitério Père-Lachaise, onde 150 communards foram fuzilados. O jornalista Victor Noir, cujo assassinato foi visto como um dos estopins para a revolta, também está enterrado lá. Como a estátua parece ter uma ereção, ela se tornou um símbolo de fertilidade, e mulheres que querem ter filhos a esfregam para ter boa sorte. Tem um mockumentary incrível do Peter Watkins que conta a história da Comuna.

 

Anos 60

Durante os eventos de maio de 68, o Quartier Latin era onde estudantes e policiais tinham batalhas na rua. Estudantes, professores e operários paralisaram a França em uma greve que começou porque estudantes protestavam o direito de levar pessoas do sexo oposto para os seus dormitórios. Depois eles começaram a questionar o elitismo na universidade, e a greve cresceu rapidamente. Hoje ainda é um período mítico da história da França, e que apareceu em muitos filmes, como Milou em Maio do Louis Malle e Depois de Maio do Olivier Assayas.

Sorbonne

Anos 70

Nos anos 70, destruiu-se Les Halles, o grande mercado que existia no bairro há décadas, e foi construído o Centro Pompidou, obra dos arquitetos Renzo Piano, Richard Rogers e Gianfranco Franchini. O prédio foi feito com cores escolhidas de forma funcional: verde para esgoto, azul para controle de clima, amarelo para eletricidade, e elementos de segurança são feitos em vermelho. O museu foi feito para abrigar as obras de arte moderna, e tem uma coleção permanente, além de exposições temporárias.

Para diversas épocas

Uma das melhores dicas que recebi quando estava indo para Paris foi o Pariscope. É uma revistinha que você pode achar por 40 cents em qualquer banca da cidade, e conta tudo o que está acontecendo na cidade. Exposições, filmes, mostras, shows, tudo aparece lá, inclusive muitos museus dos quais eu nunca tinha ouvido falar.

Foi assim que vi uma mostra ótima sobre Canaletto, uma sobre como o pintor japonês Hiroshige influenciou Van Gogh e uma sobre como as grandes figuras da história da França foram retratadas pela propaganda no século XX. Esta foi em uma pequena biblioteca no Marais, um lugar que eu dificilmente descobriria sozinha. Então, fica aí a dica, se você quer fazer algo diferente e offbeat, tente o Pariscope!

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s