Eu decidi adiantar o livro turco quando fui para a Turquia. A Turquia é um daqueles países para os quais logo recebemos uma indicação que parece unânime. No caso, Orhan Pamuk, vencedor do Nobel de literatura em 2006.

Eu já tinha lido um livro dele, Meu nome é vermelho, quando era mais nova, e não tinha gostado, então estava procurando outros autores. Mas então ouvi falar sobre O Museu da Inocência, e a idéia me pareceu tão legal que dei outra chance ao autor.

O livro é essencialmente uma história de amor, entre o rico Kemal e uma prima mais pobre, Füsun. Kemal está prestes a ficar noivo de outra mulher, Sibel, com quem ele forma um casal moderninho que se arrisca a fazer sexo antes do casamento, mas também tradicional ao ponto de agradar aos pais de ambos e ser visto como um casamento ideal pela sociedade.

Quando ele encontra com Füsun, porém, eles começam uma relação de obsessão que muda o rumo planejado da vida dele. A partir da história deles o autor fala muito da Istambul da segunda metade do século XX, o que por si só já é interessante. Vários temas aparecem no romance, como a influência do ocidente sobre a cultura turca, principalmente no que se refere à identidade feminina e sexualidade, embate entre tradição e modernidade, e mesmo a questão sobre coleções e museus.

É que o prédio onde eles se encontram é o prédio em que ele vive e onde ele guarda um objeto dela a cada vez que se vêem, montando uma coleção que é a princípio ele vê com vergonha, mas com base na qual ele depois planeja montar um museu.

Isso é muito importante, porque ao mesmo tempo em que escrevia o romance, Orhan Pamuk preparava o Museu com o mesmo nome, em Istambul. Já escrevi aqui no blog sobre a minha visita ao museu, no qual entrei de graça mostrando o meu exemplar do livro, então devidamente carimbado.

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Alguns dos objetos foram procurados para combinar com o que era descrito no romance, outros inspiraram capítulos. Pamuk acredita que por contrapor esses objetos diferentes, de épocas distintas da cidade, pode criar emoções novas, e isso foi definitivamente o que aconteceu comigo.

Apesar o livro ser freqüentemente descrito como romântico, a história de Kemal e Füsun não vai ficar na minha cabeça assim. O próprio Pamuk disse que ele pensa nela como um objeto, outro bibelô que ele quer possuir e colocar no seu museu. Mas o livro definitivamente ficou na minha cabeça. Um grande romance não-romântico, como diriam meus professores de literatura da escola.

É incrível ir ao museu depois de ter lido o livro, mas eles foram pensados para também poderem ser aproveitados separadamente. No meu albergue tinha muita gente que foi ao museu sem ter lido o livro, e também já conheci muita gente que leu o livro e não foi ao museu, então não precisa se preocupar que você vai ter que ir a Istambul para descobrir o que acontece em alguma parte.

Escrito por Julia Boechat

Estudante de história. Já morei em Bologna, fiz trabalho voluntário em Praga e viajo sempre que posso. Sou viciada em livros e filmes e estou tentando ler/ver um de cada país do mundo.

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